Bolinho de chuva, banho de rio, chupar manga no pé, ganhar tamanquinho de madeira comprado na feira, andar a cavalo, moda de viola, cigarro de palha e doses imensas de amor. Tudo isso, e tantas outras coisas, me lembra meus avós – maternos e paternos.
Em três anos perdi os quatro, sim, perdas difíceis, uma tristeza e tanto. Ultimamente tenho sentido muita saudade deles.
Perder os avós é perder sua referência maior, é sentir que o porto seguro se foi, é como não ter mais pra onde voltar, é nunca mais sentir aquele aconchego que só o colo e a casa deles conseguem proporcionar. É perceber que você nunca mais vai experimentar certos sabores, sentir certos aromas e receber aquele olhar que diz: “Você é a pessoa mais linda, inteligente e especial do mundo”.
Ah, sim, porque para os nossos avós nós não temos defeitos. Claro que nossos pais nos amam incondicionalmente, mas eles conhecem nossas falhas, nossos avós, não. Eles simplesmente não tomam conhecimento delas.
Sim, muita coisa se foi com a partida dos meus avós, mas a lembrança de uma infância feliz e cheia de amor vai continuar comigo e me ajudando a driblar a saudade deles. Nunca vou me esquecer do meu vô Arlindo tocando viola, da minha vó Isolina fazendo os pãezinhos mais deliciosos do mundo, do vô tio Zé gargalhando com uma piada e de minha vó Fizoca fazendo biscoito de polvilho e pitando seu cigarrinho de palha…tais lembranças trazem uma saudade enorme e doída e, ao mesmo, reconfortante ao meu coração.
Pensei em várias maneiras de homenageá-los e um dia sozinha em meu quarto decidi que iria fazer uma tatuagem com quatro corações no meu braço, para deixar meus quatro amores para sempre perto de mim. Um jardim de corações que vai me levar de volta ao meu porto seguro.
Gi (Lily)